Ainda precisamos de MADONNA?






 Acredito firmemente que a bicha que não reconhece Madonna como rainha, ou ao menos como uma das suas fadas madrinhas,  pode se considerar a pior das bichas megeras, a bicha mais baixa que média de matemática e física. Não apenas gays, na verdade. Arte é universal e vai além de gêneros (ambiguidade explícita aqui).


 Essa mulher esteve lá fora por mais de três décadas nos defendendo, nos incluindo, lembrando ao mundo que existimos, que estamos aqui e sempre estaremos enquanto a humanidade existir, coisa que muita gente ignora. Fato é que quando gays e mulheres não tinham nem a metade da liberdade de expressão que temos hoje, ela foi uma voz inteligente e sarcástica. Sobreviveu, não sem perdas, ao surto de AIDS nos anos 90, uma herança obscura dos  dos libertinos e inocentes anos 80. Já nos anos 90foi brutalmente acusada de imoralidade apenas por defender a liberdade de mulheres se sentirem orgulhas de sua sexualidade, e agora sofre duras criticas e chacotas pelo simples fato de envelhecer. Essa mulher merece muito mais respeito.  
Ninguém escapa da gravidade, Alice. 


  Mas vamos ao fato o que é de fato e não é do passado esse artigo, mas sobre o presente e futuro do pop e de sua rainha

O que me entristece, ou me decepciona, nessa "nova" Madonna não é o fato da idade, não mesmo, nunca seria, eu também discordo que ela deveria se comportar como uma senhora de sua idade. Madonna é uma eterna garota rebelde. Ela faz o que bem entender, Porém, entretanto e todavia, depois do MDNA, e com ressalva a algumas músicas do estranhamente interessante, um pouco confuso e um pouco longo Rebel Heart, que apesar da turnê incrível não levantou a moral do décimo terceiro disco da tia Madge,  confesso que me perguntei:  
O que Madonna ainda tem a oferecer? 
 E fiz isso com a mais pura honestidade. Não como um "Fã" que se considera fã N#1, pois isso não existe, e não tem o mínimo de senso crítico para analisar o que Madonna já pariu de bom, mas um fã que a teve como fada madrinha e companheira de armário dentre alguns dos meus amigos imaginários (incluindo Morissey e Bowie) entre metade dos anos noventa e a primeira década de 2000, que tem estudado e esperado ansioso cada lançamento de Madge - Bem, nem tão ansioso assim ultimamente. Os últimos lançamentos desgastaram o prazer da espera de álbum novo.

De mais fico com os clássicos:
Ray of light, aquele chá de camomila delicioso, com um tom exótico de cabala e hinduísmo; morro de amores pelo Bedtime story, em noites de chuva; e balanço o pesinho animado ao som do Techno que inunda o Erotica (álbum bastante menosprezado) e danço sozinho no escuro até o último segundo de Confessions on the dance floor. Sou o único a querer muito uma parte II
 Madonna nunca foi de se repetir, foi? não, não. Ela se reinventava. A bicha tinha truques nas mangas. Do nada queen Madge vinha com uma ideia mais quente que a outra. Um look, um cabelo (a própria rainha dos penteados), um passe de dança, um humor inteligente, debochado, um ritmo diferente a testar. Rainha do pop, do EDM, Disco dance, música latina etc etc
Talvez seja pressão da mídia, pressão dos fãs, de si mesma, mas discordo de músicas como Bitch I'm Madonna e Medellín sejam dignas dela, ou o melhor a oferecer.  E eu me pergunto novamente: É tudo isso? ou melhor, É só isso?

 

 Madonna recém lançou Medellín em companhia do príncipe colombiano, Maluma. A música não é de toda ruim, e apresenta em baixo de voices super produzidas, resquícios da habilidade de inovar, mas no fim serve bem mais a Maluma do que à dona da obra. Ainda gosto do clipe, mas musicalmente? É genérico, em partes; não convence em outras; me causa arrepios e não são aqueles arrepios de música boa, e no total, esquecível.
O mesmo acontece com Crave, lançado essa semana. Agora em parceria do rapper americano Swae Lee

Confira o vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=KpBEtsrwng4

O vídeo tem uma fotografia montada sobre uma paisagem urbana, onde uma Madonna madura dança loucamente em roupas coloridas que me remete aquela garota nova-iorquina dos anos 80















 A música, por outro lado, aposta na simplicidade moderna, lançando mão de acordes simples, nada risqué ou experimental, com aquela carinha de Mamãe, quero tocar nas rádios. Mas não empolga a esse velho fã. Não inova, nem surpreende. 
 Só o lançamento do álbum dirá o que Madonna nos reserva.

Confira o teaser do álbum:
 https://www.youtube.com/watch?time_continue=16&v=q5AbJxTFMms

 Eu fervorosamente acredito que se ela não tentasse se provar tanto, não tivesse que gritar tanto Bitch I'm Madonna, ela surgiria com algo digno da pessoa e artista criativa e versátil que ela é.Seria reflexo da saturação da música popular moderna? Acho que não.
 O pop, felizmente, não está tão perdido quanto parece. HAIM, é uma amostra recente de que pop pode ser mainstream e muito bom (logo teremos uma matéria recheada de novas apostas e novos lançamentos relevantes na música atual). A cada dia nos surge uma nova gama de bons e ótimos artistas que nem chegam a beirar a superfície do mainstream

 Madonna está por aí há décadas. A bicha ainda tem muito o que hittar, isso eu tenho certeza , só precisa se reajustar, encontrar seu caminho.


Espero honestamente que esse novo álbum (Madame X) me surpreenda a ponto de retirar tudo o que tenho dito e temido, julgando os últimos lançamentos. Escutar MDNA e seu Auto-Tune, EDM simplório e letras clichês me deixaram em dúvidas sobre a carreira de Madonna Louise Veronica Ciccone, mas ainda há esperanças, quem sabe? ^^

Me despeço ao som de Take a bow. Kisses.


  Mulher incrível que sempre vou ter como confidente imaginária. Aquele nomezinho carinhoso que escrevi nos meus diários durante meus últimos torturantes anos de ensino médio no inicio dos anos 2000. Madonna, um raio de luz, Rebelde de coração 💗

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